O meu wake up call

Em 2014 conheci o homem da minha vida (após muitos anos de relações infrutíferas e dramáticas). Estava a formar-me em Coaching após tantos anos sem saber o que fazer da minha vida profissional. Estava feliz e grata com tudo o que estava a acontecer e tinha aquela sensação de que eu devia ter feito alguma coisa bem feita para a minha vida estar, finalmente, a encarrilar.

Decidimos que queríamos aumentar a nossa família e ter um filho. E aí ele surgiu. O meu wake up call. Que não foi um evento único mas uma sucessão de eventos que me fizeram perceber que, ou eu mudava a minha vida ou a vida mudava-me a mim (e não no bom sentido)!

Após vários meses de tentativas sem que a gravidez acontecesse, decidimos fazer exames médicos. Logo após o primeiro exame, foi-me identificado um problema que, embora não me impedisse de engravidar, dificultaria em muito o processo. A maior parte das mulheres com o mesmo problema que eu acabavam por investir em fertilizações in vitro para poderem assim realizar o sonho de serem mães.

Fiquei devastada. Queria muito ser mãe mas queria que acontecesse de uma forma natural. Para além disso, as fertilizações in vitro eram, não só, extremamente caras como também não ofereciam garantias. Algumas mulheres faziam várias fertilizações sem que a gravidez acontecesse ou progredisse normalmente.

Uma semana após ter recebido o diagnóstico, fiz um teste de gravidez. Qual não foi a nossa surpresa quando o teste deu positivo! Ficámos radiantes. Tínhamos decidido há pouco tempo que iríamos deixar a Suíça para regressar a Portugal e que eu ia finalmente deixar o meu trabalho para me dedicar a algo que eu amava realmente. Na altura, achámos que o fato de termos tomado tal decisão tinha contribuído para que a gravidez finalmente acontecesse e para mim foi o confirmar de que eu estava a tomar decisões alinhadas com os meus valores mais profundos. Só isso explicava que a vida começasse finalmente a fluir desta maneira e as coisas acontecessem de forma natural.

Só que uma semana depois de termos festejado a nossa gravidez, eu dava entrada nas urgências da maternidade com todos os sinais de um aborto espontâneo que se veio a confirmar. Ficámos de rastos!!! A semana seguinte foi a pior semana de toda a minha (nossa) vida: em 5 dias dei 5 entradas nas urgências, cada dia vista por um médico diferente e apenas aquele que me viu no último dia me perguntou como me sentia psicologicamente. Chorei. Até ali, todos os profissionais me haviam abordado como se um aborto acontecesse todos os dias na vida de uma mulher e de um casal.

Naquele momento, senti que não tinha mais forças para continuar a minha vida daquela maneira. Se até ali o trabalho já era insuportável, a partir daquele dia, tudo se tornou ainda mais pesado. Por muito que estivéssemos em contagem decrescente para regressarmos a Portugal e mudarmos a nossa vida, eu sentia que já não tinha nada para dar de mim naquele trabalho. Ao mesmo tempo, queria aguentar até ao fim do meu contrato e sair daquele trabalho com a consciência tranquila de quem tinha desempenhado bem as suas funções até ao fim.

E neste esforço quase sobre-humano para continuar, eu fui parar novamente às urgências do hospital. Desta vez com dores de cabeça constantes dia e noite, diarreias, tonturas e má disposição. Examinaram-me durante horas para me dizerem que tinha sinais de ter tido uma infecção mas que não havia necessidade de fazer ou tomar alguma coisa.

Saí dali a perceber que o meu corpo GRITAVA alto para eu parar! Parar com aquele meu esforço sobre-humano de querer, a todo o custo, aguentar até à ultima. A última já tinha sido, para mim, há muito tempo atrás! E nisto, o meu médico de família aconselhou-me a parar definitivamente de trabalhar (faltava cerca de 1 mês para o final do meu contrato de trabalho) e a utilizar as minhas ultimas forças para a mudança que estávamos prestes a fazer.

Assim o fiz, ainda que dentro de mim eu quisesse que as coisas se terminassem de maneira diferente. Mas já não tinha forças para resistir às evidências de que, para mim, para o meu corpo, para a minha alma, já não dava mais. E, sem resistir, deixei-me ir.

Fizemos as mudanças no início de Julho de 2015. Em Agosto, descobri que estava grávida. Feitas as contas, percebemos que o nosso filho tinha sido gerado na nossa 1ª semana em Portugal. A gravidez correu da forma mais normal e saudável possível e o nosso filhote, agora com 1 mês, nasceu perfeito e saudável!

Se partilho esta sucessão de episódios tão pessoais da minha historia, é porque acredito PRO-FUN-DA-MEN-TE que, quando não vivemos uma vida alinhada com os nossos valores, ela simplesmente não flui. É porque acredito que fazermos um trabalho do qual não gostamos e que representa diariamente um sacrifício para nós PODE e VAI dar cabo da nossa saúde. É porque acredito que a vida nos dá muitos sinais de que não estamos a fluir com ela e de que precisamos mudar alguma coisa.

Na maioria das vezes, para que o ser humano aja no sentido da mudança, é preciso que ele sinta uma dor suficientemente forte. Caso contrário, e ainda que não esteja totalmente bem ou feliz no sitio onde está, ele acaba por se acomodar a viver nesse desconforto. Por isso, eu agi quando passei por um esgotamento crónico (e não antes); por isso, eu agi quando passei por todos estes episódios em que vi a minha saúde degradar-se. Por isso, eu vejo pessoas a agirem apenas quando se vêm sem trabalho, ou quando por, uma questão de saúde de um filho, precisam urgentemente de dinheiro. Mas não precisa de ser assim.

Se estás à espera de um sinal para mudares a tua vida, a infelicidade ou insatisfação que já sentes É O SINAL!

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