Viver com propósito é viver DE propósito!

Chego. Preciso de fazer uma escolha. Ou sigo por o carreiro já traçado no meio da vegetação ou trilho o meu próprio caminho.

Olho para o primeiro. O caminho já traçado.

Não tenho vegetação que me dificulte os passos, que me pique as pernas, que me suje as calças e isso faz-me pensar que por ali será mais fácilVejo claramente onde meto os pés não correndo o risco de meter o pé na poça (literalmente) ou de pisar algum bicharoco e isso faz-me sentir mais segura. Sei que aquele caminho já traçado me conduzirá a algum lado. Basta entregar-me a ele e ele leva-me. Não preciso tomar decisões nem escolher direções. Não tenho essa responsabilidade e isso faz-me sentir confortávelTalvez encontre alguém pelo caminho, alguém com quem me possa conectar e isso faz-me sentir menos sozinha.

Olho para o segundo. O caminho que é só meu. Ele não existe (nem existirá enquanto eu não escolher caminhá-lo).

Não vai ser fácil trilhar um caminho novo. A vegetação vai dificultar os meus passos. Sentirei os picos das ervas secas arranharem as minhas pernas e sairei dali com as calças num lindo estado. Vai ser arriscado criar o meu próprio caminho. Não saberei antecipadamente se meterei o pé em algum buraco ou se pisarei alguma cobra. Que direção tomarei? Que escolha de rumo farei? Para onde me conduzirei? Não poderei desresponsabilizar-me, apoiando-me num trilho desenhado pelo o outro.  Encontrar alguém no meio do mato será coisa pouco provável de acontecer e aí invade-me o medo da solidão.

Preciso de fazer uma escolha. Ou sigo por o carreiro já traçado no meio da vegetação ou trilho o meu próprio caminho.

Escolho o primeiro, o carreiro já traçado.

Caminhar está agradável e fácil (ou não fosse esse o caminho do facilitismo). Quanta segurança a de se caminhar sem grandes riscos sabendo exatamente onde meto os pés. E que alívio, não ter que fazer escolhas de rumo, não ter que tomar decisões, sabendo com certeza que aquele caminho já traçado me levará a algum lado. E ao longe avisto alguém. Yupi, que bom, já não estou sozinha!

Destino. Cheguei.

O caminho foi tão fácil que terminou cedo de mais. Dei a minha caminhada por terminada sentindo necessidade de caminhar mais. Aquele caminho tinha sido traçado pelo outro para preencher as necessidades do outro. Ele não preenchia as minhas necessidades, únicas e singulares.

Caminhei com tanta segurança que nada exigiu a minha presença no momento presente. A minha mente teve espaço para fugir e vaguear pelos campos do futuro e do passado. Cheguei ao destino sem me lembrar do percurso que fizera para chegar ali.

Encontrei alguém, sim. Era a Maria, a vizinha. Caminha com o seu caixote de lixo e os seus dois cães, recolhendo tudo e mais alguma coisa que encontra pelo caminho. Aceno-lhe. Não temos muito para conversar. Sinto-me mais sozinha do que antes.

Cheguei ao destino, a um destino, ao destino que outro escolheu para si e que eu o deixara escolher por mim. Mas seria realmente ali que eu quereria chegar?

Foi assim que passei grande parte da minha Vida. A caminhar caminhos trilhados pelo o outro.

Com isso, eu não procurava apenas facilitismo, segurança ou conforto. Eu ambicionava a normalidade, convicta de que encaixando-me, eu receberia amor e aceitação do outro. Nesse caminhar por caminhos do outro, (des)encontrei-me vazia, vazia de Propósito.

Em 2013 escolhi diferente. Escolhi o segundo caminho. O meu próprio caminho!

Reencontrar a minha voz tem sido um processo desde aí. Quando se passa tanto tempo decalcando desenhos do outro e depois nos dão um pincel e nos pedem um original, nada sai… Foi assim que me senti no início.

Trilhar o nosso próprio caminho é trilhar um caminho pela primeira vez. Sem garantias, sem respostas, certas ou erradas.

É uma escolha, momento a momento, de se viver em total coerência com quem única e singularmente somos. É fazermos jus à nossa intuição, ao nosso coração, ao nosso sentir percebendo que é a partir desse lugar que definimos o nosso destino (e não a partir do destino escolhido pelo outro). É reconhecer o que está vivo em nós e alinharmos o nosso trilho em função disso.

Trilhar o nosso próprio caminho é viver com propósito. É viver DE propósito. É adultizarmo-nos, deixando de ser um peso às costas do outro para ter os nossos pés como nosso próprio e único sustento. É responsabilizarmo-me assumindo totalmente as consequências das minhas decisões. É desapegarmo-me da necessidade de validação do outro, honrando a cada instante a minha própria Verdade.

Deixe um Comentário