Virando estrutura maleável…

Fomos juntos à aula de yoga. Eu, cheia de expectativas sobre ele, de como ele se iria comportar, de como se iria sentir consigo mesmo, de como ele olharia para mim enquanto mãe que pratica yoga…

Começámos, devagar, conectando-nos com a respiração. Ele assistia, no tapete dele, olhando em silêncio para todos nós. Pensei que ele permaneceria assim a aula inteira… (só mais algumas expectativas que sairiam, naquele dia, defraudadas).

Só que ele foi-se chegando cada vez mais perto. Primeiro, com um brinquedo que tinha encontrado lá no parque, depois com um pézinho e por fim, já estava todo ele em cima de mim. O filho que veio ao mundo através de mim!

A aula progrediu para diversas asanas. Até as mais fáceis se tornaram altamente desafiantes com uma criança de dois anos agarrada às minhas pernas. Até que finalmente descemos para uma balássana, a postura da criança que tem como intenção auxiliar no combate ao stress, acalmando o cérebro e ajudando-nos a descansar. Só que… só que não. Eu em balássana, feliz de encontrar uma postura fácil e confortável para mim e ele… pendurado nas minhas costas!

Ali, de olhos fechados e em postura, eu encarei as minhas expectativas iniciais para esta aula de yoga e percebi que se não as deixasse ir, sentir-me-ia altamente frustrada e projetaria essa frustração nele.

Então deixei ir essas expectativas enquanto o sentia pular em cima das minhas costas desafiando o meu equilíbrio. Para manter o meu equilíbrio e consequentemente o dele também, eu precisei de largar toda a minha rigidez, toda a minha necessidade de controlar o meu corpo pela força e soltei-me, flexibilizei-me! Virei estrutura maleável para manter o meu equilíbrio e o dele também.

Ele pulava em cima de mim e eu senti o meu corpo dançar ao ritmo que ele estabelecia. Larguei mais um pouco de expectativas e controlo e percebi que a minha função era manter o equilíbrio no meio da agitação.

A aula fluiu o seu curso natural. Eu permiti-me fluir com ela, largando os ideais de posturas que a minha mente me dizia dever alcançar para dar lugar ao que era possível ser feito com a cria à perna (literalmente!). E no meio deste fluir, fui vendo surgirem oportunidades de nos abraçarmos mutuamente, de nos beijarmos, de entrarmos num pele-a-pele que pouco vivemos.

Foi das aulas de yoga menos zen que vivenciei até hoje e foi aquela da qual saí em maior sintonia com o amor. Relembrei o quanto viver apegada a expectativas idealistas me pode impedir de viver as bênçãos que o presente me dá.

Procuro encontrar o equilíbrio entre o planear e o fluir com a Vida. Se por um lado, só me é possível estar presente nas aulas de yoga porque existe uma vontade deliberada de ali estar e portanto todo um planeamento pessoal, familiar e profissional, por outro lado, só fluindo com a Vida posso tirar todo o partido daquelas mesmas aulas (mesmo que a expressão “tirar todo o partido” tenho um significado totalmente diferente daquele que eu representava mentalmente). 

Se também tu oscilas entre a importância de ter clareza quanto àquilo que pretendes viver e a relevância de fluir com o que cada momento pede de ti, inscreve-te na minha newsletter (no rodapé do meu site). Muito em breve virei com novidades para te apoiar a Viveres de Propósito sem, por isso, passares ao lado dos planos que a Vida tem para ti. 

(Gratidão à querida @Vanniyama, a professora de yoga que criou o espaço para eu relembrar todas estas Verdades).

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