Sobre o que a Vida me ensinou em 2018?

Comecei 2018 com o meu Dream Board e a intenção para este novo ano que se iniciava: “CONEXÃO COM A VERDADE”. E ela veio…

O ano iniciou-se comigo num mergulho intenso às profundezas do meu inconsciente, processo que começara na minha gestação da Lis, ainda em 2017 e que se aprofundava agora, nos primeiros meses de vida de dois novos Seres, ela e eu.

Uma série de desilusões em relação a coisas e a pessoas foram surgindo no caminho. Des-iludir é deixar cair por terra ilusões, mentiras, para dar espaço para a verdade ser olhada de frente. A desilusão aproxima-nos, portanto, da Verdade!

As des-ilusões que experienciei relembraram-me que sou tão mortal quanto o outro e fizeram-me descer mais uns quantos degraus do pedestal em que eu própria me coloco tantas vezes. Foi como se a Vida me puxasse o tapete de baixo dos pés, fazendo-me cair de cu no chão como quem diz “Minha querida, estamos todos ao mesmo nível!”.

Reconheci ilusões várias como as de que escassez financeira, monoparentalidade, adultério, saúde débil e até um aborto espontâneo são “coisas” que jamais me aconteceriam a mim.

Tem sido duro, a sério que tem. Sempre pensei, ilusória e infantilmente, que estava “a salvo” de muita coisa. Trabalhei anos com pessoas doentes e achei muitas vezes que jamais estaria no lugar delas. Este ano, uma amiga do secundário contou-me que tivera um cancro na tiróide. Se ela não está a salvo, quem era eu para o estar? E nestes últimos dias do ano, com a minha filha internada no hospital, eu encarei pela primeira vez o medo de perder um filho. E assisti a um internamento de uma criança de seis meses, vinda de um refúgio. Uma criança que passaria dias inteiros enfiada num berço de um hospital sem colo, nem para comer nem para adormecer. Foi um choque para mim! Não estou a salvo de nada nem vivo em realidade paralela alguma. Sou tão humana quanto qualquer outro humano, tão à mercê de experiências desafiantes quanto qualquer outra pessoa, tão suscetível, tão vulnerável…

O sair da ilusão de viver numa realidade “especial” para a verdade da minha vulnerabilidade assustou-me tremendamente. Hoje percebo que parte do meu ego se desvanecia naquele momento, que aquela imagem que tinha de mim mesma de “Sofia como criatura especial” dava lugar a uma imagem menos idolatrada, mais humanizada, mais Verdadeira. Era a morte que eu anunciara no parto da Lis, um parto onde gritei inúmeras vezes “eu não consigo, eu não consigo, eu vou morrer…”. E, de facto, morri!

Em parte nunca me voltei a reencontrar depois do nascimento da Lis. A mulher que saiu daquela sala de partos não era mais a mesma que ali entrara horas antes. Eu sairia dali renascida com um olhar totalmente novo para a realidade!

A névoa que me tapava a vista dissipou-se e acordei de uma grande ilusão para a Verdade. Ai, como foi duro de ver o que sempre ali estivera e que eu nunca quisera ver. Como foi duro enfrentar o quanto eu sustentei mentiras nos últimos anos, varrendo para debaixo do tapete verdades que me eram amargas, usando todos os meus recursos e forças para fazer corresponder coisas e pessoas aos meus ideais. E como foi injusto para elas pois nessa tentativa infantil de as fazer corresponder aos meus desejos, eu não olhei para elas com olhos de ver, eu não as conheci de facto! Como foi duro reconhecer a quantidade de vezes que nos últimos anos eu não me respeitei e permiti que os meus limites fossem violentados. Como foi duro de me reconhecer como responsável da co-criação daquela realidade que eu agora olhava com uma olhar tão diferente, tão honesto, tão Verdadeiro.

Relembro a minha intenção para 2018. Conexão com a Verdade. Eu pedi e ela veio. Na minha infantilidade, achei que isso não teria um preço. Achei que intencionando algo do bem, do amor, da luz, o preço a pagar fosse apenas doce. Quanta imaturidade a minha!

O caminho do despertar não é sobre emoções positivas. Pelo contrário, a iluminação pode não ser, de todo, fácil ou positiva. Não é fácil ter as nossas ilusões esmagadas. Não é fácil abandonar as percepções de longa data. Podemos experimentar grande resistência ao ver através até mesmo daquelas ilusões que nos causam uma grande quantidade de dor. Isto é algo que muitas pessoas não sabem que estão a assinar quando começam uma busca pelo despertar espiritual. Como professor, uma das coisas que eu descubro relativamente cedo sobre os alunos, é se eles estão interessados na coisa real – se eles realmente querem a verdade, ou se eles só querem se sentir melhor. Porque o processo de encontrar a verdade pode não ser um processo no qual nos sentimos cada vez melhor e melhor. Pode ser um processo em que precisamos olhar as coisas com honestidade, sinceridade e veracidade, e isso pode, ou não, ser algo fácil de fazer.(Adyashanti)

Doze meses depois do início deste 2018, eu sinto como se me estivesse a re-erguer de vários meses de reboleta. Sinto-me física, emocional, espiritual e energeticamente em regeneração, como se a minha estrutura interior tivesse sido parcialmente abalada por um tsunami e eu estivesse agora em fase de reconstrução de uma nova estrutura, estrutura que jamais será a mesma que a anterior. Eu bem que gritei que ia morrer…

(Foto por Estórias da Gente no “Transborda”, vivência autoral de Carolina Bergier)

Percebo-me a dirigir-me palavras amorosas. Amo-me. Gosto de quem Sou. Tenho mesmo muito amor, consideração e respeito pelo Ser que Sou. Não por me considerar perfeita, não por acreditar que fiz tudo certo ao longo deste ano ou desta vida. Não. Amo-me só porque sim. Como se ama um filho. Só porque sim. Sem razões. Só mesmo porque sim. Como é que posso não amar a pessoa que cuidou mais de mim ao longo deste ano (desta vida)? Como posso não amar a pessoa que mais me escutou e que mais me falou palavras de amor, de força, de reconhecimento, de aceitação? Como posso não amar a pessoa que mais me apoiou? Como posso não amar a pessoa que nunca me faltou?

Esta é a maior de todas as colheitas deste 2018! Conectei-me com a Verdade e com essa conexão veio a lembrança de Amar o Ser que Sou sem precisar de alguma razão que justifique isso.

Que 2019 seja um ano de expansão dos frutos que a conexão com a Verdade me trouxe!

Mostrar 8 comentários
  • Helena Soares
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    ❤️
    Obrigada pela partilha, Sofia!
    Faz-nos refletir…..

    • Sofia de Assunção
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      Obrigada pelas palavras querida Helena. Que te comprometas com essas reflexões que brotam das palavras que escrevi. Um beijinho com amor

  • Margarida Rafael
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    Oh minha querida, que palavras as tuas. Tocaram o meu coração. Um beijinho

    • Sofia de Assunção
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      Que feliz me deixa saber que as minhas palavras te tocam <3 Obrigada por me acompanhares com carinho!

  • Carla Faria
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    Que partilha maravilhosa Sofia! Tal como tu nunca mais reencontrei a Carla que entrou na sala de partos há 3 anos e há 1 ano atrás. Cada filha levou-me a um lugar mais profundo, à verdade com as suas duas faces. Tem sido um desafio diário manter o equilíbrio, mas é exatamente esse o meu desafio para 2019. Obrigada pela partilha <3

    • Sofia de Assunção
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      Querida Carla, tão bom encontrar alguém que vivenciou algo semelhante ao que eu vivenciei! Obrigada por o partilhares comigo <3 De facto, sinto que os meus filhos me despertaram; parece-me agora que antes deles eu estava envolta numa nublina que me impedia de enxergar as coisas com clareza. Parece que os meus olhos foram ficando mais limpos, a minha visão mais descoberta... É desafiante também para mim mas tenho percebido que me toda essa clareza me traz potência. Um grande beijinho e obrigada por teres tirado um pouco do teu tempo para me escreveres estas tuas palavras.

  • Dulce
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    Obrigada pela partilha. A vida é um processo maravilhoso de co-criação. Que bonita que É Sofia! Um abraço
    Dulce

    • Sofia de Assunção
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      Obrigada pelas palavras de carinho Dulce. Continuo a aprender sobre a Vida e sobre esse processo de co-criação, ainda tão inconsciente e misterioso para mim!

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