O preço a pagar para Viver a minha Verdade

Bali acolheu-me no meu Despertar. Em 2012 uma parte da minha inconsciência veio à luz e aí eu percebi o que estava na base de grande parte das escolhas que fizera até ali. Naquela altura, tornei-me consciente de que vivera desconectada da minha Verdade, uma Verdade que eu própria desconhecia.

Hoje, olhando para trás, percebo o quão bem correspondi às expectativas de uma sociedade que visa formatar-nos. Eu era como um bolinho, igual a tantos outros, fruto de uma mesma forma.

Onde estava a minha própria (e única) voz? De que forma eu exprimia a minha singularidade? De que forma a minha Vida refletia a minha Essência individual? Várias questões que conduziam a apenas uma conclusão: eu desconectara-me da minha Verdade.

Bali foi um marco importante na minha vida. Porém, eu não regressei de lá super conectada com a minha Verdade e disposta a tudo para a Viver (teria adorado que isso acontecesse mas não…).

Hoje percebo que fui para Bali inspirada na história de outras Mulheres e querendo que essa mesma história, que era a delas, se repetisse comigo (o filme “Eat, pray, love” e o blog “Quando o mar se abre…” da querida Carolina Bergier foram as minhas principais inspirações).

Naquela altura, achei que aquele lugar faria a magia acontecer dentro de mim. Queria conectar-me com a minha Verdade, queria viver uma Vida que fluisse mais, queria no fundo sentir-me mais feliz na minha própria pele. Fui, mais uma vez, procurar fora (em Bali) aquilo que só poderia encontrar dentro.

Hoje percebo que cada episódio, que cada experiência que vivi desde essa minha viagem a Bali em 2012, foram necessárias para eu entender uma série de coisas que eu ainda não entendia em 2012. Eu queria que algo acontecesse em 2012 só que eu não estava preparada ainda para acolher tudo isso dentro de mim.

Ainda assim, regressei com mais clareza sobre aspetos da minha Vida que não eram coerentes com a Verdade que começava a vislumbrar dentro de mim e isso conduziu-me a materializar algumas mudanças concretas como o término de uma relação de vários anos. Regressei também mais desperta para necessidades que estavam Vivas em mim e das quais cuidara tão pouco e essa escuta mais atenta de mim mesma transportou-me até novas experiências muito importantes para a minha aprendizagem e evolução.

Porém, a verdade é que eu continuo não só nesse processo de des-cobrir a minha própria Verdade como também no processo de manif-estar essa mesma Verdade. 

Nesta caminhada, eu optei muitas vezes pela voz igual à de tantas outras, pelo caminho mais confortável por ser aquele que despertaria menos incómodo no outro. Aleguei muitas vezes que o que me levava a escolher a via que menos me confrontasse com o outro era a minha extrema preocupação com o bem-estar alheio. Porém, hoje tenho a consciência de que essa minha preocupação com o outro nada mais era do que um meio altruísta de atingir um fim egoísta: o de ter a aprovação, a aceitação e o amor do outro.

Entendo hoje, melhor do que nunca, que para Viver a minha Verdade, eu tenho um preço a pagar, preço esse que recusei tantas vezes assumir.

Viver a minha Verdade trará sim incómodo a muita gente, sobretudo àqueles que ocupam posições de destaque na minha vida. Viver a minha Verdade irá contrariar muitas expectativas alheias. Viver a minha Verdade significará deixar de me preocupar tanto com o outro ao ponto de me des-cuidar de mim mesma.

A D. é o exemplo Vivo de tudo isto para mim. Ela foi minha colega de faculdade. Estudámos Fisioterapia juntas e fomos ambas emigrantes na Suíça. Por lá, partilhávamos o sentimento de desconexão da nossa própria Verdade. Há quase quatro anos atrás, ao mesmo tempo que eu fazia planos para regressar a Portugal para Viver em mais Verdade, a D. escolhia também Viver a sua Verdade ao ingressar num convento de clausura e tornando-se freira. De todas as vezes que a vi ou ouvi dentro do convento, reconheci nela uma felicidade que jamais sentira nos nossos anos de faculdade ou de trabalho. Percebi que era resultante desse alinhamento com a sua Verdade tão única. Porém, a escolha de Viver nesse estado de alinhamento, teve e tem um preço que a D. paga diariamente.

Estar longe da sua família e amigos é um preço bem alto a pagar, sobretudo para alguém como ela, tão apegada a todos. Ela sabe também que essa sua escolha impactou a vida de pessoas muito importantes para ela, algumas das quais sofrem enquanto percorrem os seus próprios processos de aprendizagem e evolução. Não é uma escolha pela qual se pague um preço leve. Não é mesmo. Mas é o preço a pagar para que ela exprima a sua própria Voz e cumpra a sua parte do Plano Universal.

Penso que os maiores “desastres” ( = que vem dos astros) que enfrentamos nas nossas Vidas nos conduzem na direção da conexão com a nossa Verdade sendo que a escolha final – seguir a nossa própria Voz ou a do mundo – nos cabe sempre a nós. A escolha da nossa própria Voz vai exigir de nós desconstrução e desapego das estruturas sobre as quais nos apoiámos anteriormente, seja família, amigos, bens materiais… Estou convencida de que, quanto mais tempo passamos a viver em mentira, mais árduo será esse processo de desconstrução e desapego, necessário para que a conexão com a Verdade aconteça.

Tudo começa com pequenos passos de autenticidade. Dizer “não” quando sentimos essa vontade. Expressar com clareza, amor e respeito as nossas próprias necessidades. Deixar ir aquilo que alimenta os nossos egos e que nos afasta da nossa “casa”. Estabelecer limites de forma a que nada nem ninguém nos impeça de exprimir a nossa Verdade.

Estou no processo de honrar a minha Verdade momento a momento. Acredito que é dessa forma, instante a instante, que A vou desvendando um pouco mais.

(Se também tu estás no processo de querer viver a tua própria Verdade, vou em breve anunciar uma novidade que te poderá apoiar muito nessa caminhada. Para não perderes nenhuma informação, vai lá e assina a minha newsletter (no rodapé do meu site)).

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