Sou Coach, logo sou Deus.

Em 2014, quando iniciei a minha formação de Coach, eu estava completamente perdida na minha vida! Infeliz com a minha vida pessoal e insastifeitíssima com a minha vida profissional, eu tomei a decisão de iniciar a formação de Coach para me poder ajudar a mim própria!

Ao longo da formação, que durou cerca de 1 ano, comecei a sentir vontade de utilizar aquilo que estava a aprender para ajudar os outros a re-encontrarem o seu caminho de felicidade, muito embora eu continuasse à procura do meu próprio caminho. E então um dia alguém me perguntou: “Como é que tu podes ajudar outras pessoas se te encontras tão perdida na tua própria vida?”.

Sim, de facto eu ainda andava à procura do meu próprio caminho e sim, eu ainda procurava imensas respostas a milhões de perguntas que existiam na minha cabeça. O que aquela pessoa pessoa que me fez a pergunta não sabia é que, ao ajudar os outros a encontrarem o seu caminho, os outros ajudar-me-iam a encontrar o meu!

Existe esta ideia de que Coach/Terapeuta/Psicólogo que se preze, deve ter TUDO bem-resolvido na sua vida! Que Coach/Terapeuta/Psicólogo que se preze não tem dúvidas, nem inseguranças, nem momentos de desmotivação, de descrença. E que, acima de tudo, se conhece tão bem a si mesmo que não precisa da ajuda de ninguém para resolver o que quer que seja na sua vida! Em suma, um Coach/Terapeuta/Psicólogo que se preze é tipo, Deus!

Mas, despindo-nos do ego, a verdade é que Coach/Terapeuta/Psicólogo que se preze nunca deixa de ser um ser humano, com as suas forças mas igualmente com as suas limitações e os seus desafios num mundo tão terrestre quanto o de qualquer outro ser humano à face da Terra!

Para mim, que durante tantos anos achei que o meu cargo profissional e a quantidade de pós-graduações que acumulava fariam de mim alguém superior a quem eu era, foi e continua a ser um desafio não enveredar pela escadaria que me leva, enquanto Coach, a me colocar num pedestal. A pensar que, lá por ser Coach, estou mais resolvida que fulano, sou superior a beltrano, sei mais do que sicrano!

Com a minha experiência nos atendimentos de Coaching, vou percebendo que ajudo mais o meu cliente nos momentos em que desço desse pedestal e me coloco ao mesmo nível do ser humano que tenho à minha frente. Quando desço do ego e me coloco no amor. Quando paro de me sentir especial e me mostro com humildade e vulnerabilidade. Quando falo do meu próprio processo, tantas vezes semelhante ao processo do meu cliente. Quando percebo e sinto que somos todos um só e que quando me coloco no pedestal, eu cometo o erro da separação, e que não ajudo nem o cliente nem a mim própria!

​Na semana passada, uma cliente mencionou a sua vontade em adoptar uma rotina de meditação. Ela quer meditar todos os dias mas estava com dificuldade em auto-disciplinar-se para o fazer. Eu desci do pedestal de Coach=Deus e assumi que também eu estava a lidar com a mesma dificuldade. Que desde que regressara a Portugal, ainda não tinha conseguido sentar o rabo na almofada e rezar (que é a minha forma de meditar). Aceitei nesse momento que o Coaching me dá a oportunidade de ajudar e ser ajudada, de dar e de receber. Decidimos trocar um “whatsapp” por dia uma com a outra, após termos meditado/rezado. Foi a forma que encontrei de puxar pela minha cliente a alcançar o seu objectivo e de ela puxar igualmente por mim!

Ainda hoje, antes de começar o meu dia, sentei o rabo para rezar e esta é uma prática que tem um impacto ENORME no meu dia! E tenho plena consciência que isso aconteceu porque naquele dia, eu decidi mostrar-me como sou ao invés de vestir a máscara (ou a mentira) de que, enquanto Coach, estou completamente resolvida!

Os meus clientes ajudam-me todos os dias a conhecer-me melhor e a aproximar-me mais e mais dos meus objectivos! Cada exercício que faço com eles, eu faço também para mim. Cada pergunta desafiante que lhes faço, desafia-me igualmente a mim. Cada artigo que escrevo, ajuda-me primeiramente a mim. Cada vídeo que faço, ensina-me algo sobre mim.

Quem pensa que precisa de atingir a perfeição, que precisa ser mais do que já é, ou mais do que os outros, ou ser mais especial para ser Coach/Terapeuta/Psicólogo que se preze,vive no erro da separação, vive no ego e afasta-se assim da sua maravilhosa missão de ajudar os outros!

Hoje, este artigo vai para todos os meus clientes (os que foram, os que são, os que serão) por me darem lições de humildade, vulnerabilidade, autenticidade e amor e me afastarem do ego que regeu a minha vida durante tantos anos! Que eu continue aberta a estas lições para delas tirar as maiores aprendizagens de amor que me forem possíveis!

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